Sexta, 03 de julho de 2020.

Conheça os projetos da Renault Sport Racing no combate ao coronavírus

Agora que a comunidade da F1 está se preparando para retornar às corridas, com a abertura da temporada no GP da Áustria no final de semana, a Renault Sport Racing faz suas reflexões sobre as oportunidades extraordinárias e sem precedentes dos últimos quatro meses
 

Em pouco mais de 100 dias, o mundo virou completamente de ponta-cabeça.
 
Com a hashtag #WeRaceAsOne (“Nós Corremos como um Só”, em tradução livre), a campanha de amplo alcance lançada recentemente pela F1 reconhece que o esporte pode ser protagonista na nova realidade em que vivemos. O esporte pode não apenas unir as pessoas para superar diferenças, mas pode também ser usado como agente de mudanças para o futuro. O mundo está enfrentando dois grandes desafios atualmente: promover a igualdade entre todas as pessoas, independentemente de raça, gênero, religião, origem ou orientação, e vencer a pandemia da COVID-19.
 
A F1 não esteve – e não estará – de braços cruzados em relação a isso e a Renault Sport Racing também se mobilizou em torno destes temas, envolvendo-se em vários projetos para responder ao enorme desafio do Coronavírus. Nas cidades de Enstone (Inglaterra) e Viry-Châtillon (França), as equipes da Renault Sport Racing coordenaram diferentes ações para ajudar os trabalhadores que estão na linha de frente, tendo desenvolvido desde respiradores, carrinhos de apoio e outros equipamentos de proteção individual até dispositivos de comunicação.
 
Vamos agora dar uma olhada em algumas das áreas em que as equipes estiveram trabalhando, na França e no Reino Unido.
 
Imagens em rolo B mostrando os principais líderes de projeto falando sobre cada ação serão publicadas no site da Renault Sport dedicado à imprensa, mas já estão disponíveis nos links abaixo:
 
HTTPS://BIT.LY/3EWNGDQ
WWW.RENAULTSPORT.COM
Username: renaultsport
Password: mediaf1
 
Projeto e desenvolvimento de respiradores
A Equipe Renault DP World de F1 se envolveu no projeto e desenvolvimento de um novíssimo respirador mecânico, para ajudar na luta contra a COVID-19, como parte de uma colaboração pioneira entre os programas NHS England Clinical Entrepreneur Program (Programa de Empreendedores da Área Clínica do Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra), Innovate UK (a agência de inovação do Reino Unido), e o Project Pitlane (Projeto Reta dos Boxes, em tradução livre), que formou uma aliança única entre as equipes de Fórmula 1. A empresa Olympus KeyMed também doou tempo e know-how para o avanço do projeto.
 
O respirador BlueSky é um dispositivo de cabeceira, criado a partir da adaptação do conceito de um respirador simples, do tamanho da palma da mão, permitindo oferecer tratamento de pacientes em estado crítico de emergência, com dificuldades respiratórias que necessitam de auxílio mecânico imediato para respirar.  Por meio de um trabalho conjunto, o Projeto Pitlane permitiu reduzir a fase de projeto e produção deste protótipo de respirador para pouco mais de três semanas.

A Red Bull e a Renault se empenharam no projeto mecânico, produção, eletrônica e sistemas de controle. As duas empresas reacenderam a chama de sua parceria histórica – tendo vencido quatro Campeonatos Mundiais juntas – para alavancar este projeto incrível. A Haas e a Mercedes também trabalharam juntas na área de mecatrônica e em testes de equipamentos, enquanto que a McLaren Applied Technologies produziu protótipos de placas de circuito impresso.
 
“A BlueSky chegou a nós por meio da Innovate UK, quando o Dr. Alastair Darwood, um de seus jovens engenheiros biomédicos, apresentou um conceito de respirador de baixo custo”, explica Bob Bell, Consultor Técnico da Renault Sport Racing. “Foi um verdadeiro trabalho colaborativo entre as equipes e cada atividade foi distribuída para se adequar aos pontos fortes das pessoas envolvidas.”
 
“Este projeto não tinha nada a ver com tecnologia que utilizamos nos carros, mas sim aproveitar a estratégia e os métodos utilizados na F1, a velocidade e a agilidade para produzir um dispositivo completamente novo, em um período de tempo extremamente curto. O normal seria levar de dois a três anos para este tipo de projeto começar a dar frutos, mas temos uma série de procedimentos na F1 que permitiram que ele fosse acelerado.”
 
“Vários departamentos da Renault Sport Racing contribuíram para o projeto, principalmente os Grupos de Eletrônica e Sistemas de Controle, que trabalharam horas a fio e tiveram um apoio incrível das áreas de produção, planejamento, compras e também dos caras da equipe de corridas, os quais se envolveram profundamente no final, quando estávamos aumentando o ritmo da produção para fabricar os dispositivos em grandes quantidades, tanto em Enstone como na Red Bull.”
 
“No final das contas, o projeto BlueSky foi cancelado pelo governo. Ficamos desapontados, pois teria sido bacana ter levado o projeto até a linha de chegada, mas naquela fase da crise o número de infecções estava caindo e o tipo de infecções havia se tornado mais complexo, portanto um dispositivo intermediário foi considerado menos essencial.”
 
“Mesmo assim, o inventor tem um grande interesse para que o dispositivo seja utilizado em outras aplicações, incluindo na área militar. Temos um grande orgulho de ter contribuído para este projeto, que ainda poderá ajudar milhares de pessoas no futuro.”
 
Junto com as equipes de engenharia do Grupo Renault no Technocentre e o CEA (Comissariado de Energia Atômica e Energias Alternativas da França), baseado em Grenoble, a Renault Sport Racing contribuiu para o projeto “Makers for Life”, um coletivo de médicos e empreendedores da região de Nantes, na França, para projetar um respirador mecânico altamente econômico e de fácil montagem.
 
No início de abril, membros da equipe de engenharia do Grupo Renault viajaram para Grenoble, assim como uma equipe de dez engenheiros, especialistas em eletrônica e designers da Renault Sport Racing.
 
Não há semelhanças imediatas entre um respirador mecânico e um motor, mas ambos trabalham com pressão e fluxo regulado de ar comprimido. Uma primeira versão, chamada de MAKAIR, com projeto das equipes do “Makers for Life” e do CEA está passando por testes clínicos nos hospitais universitários de Brest e Nantes, após ter recebido o sinal verde da ANSM, a Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos para a Saúde da França, enquanto que uma segunda versão industrial chamada de MAKAIR RE20, em homenagem ao motor de F1 para a temporada 2020, foi construída pela equipe Renault Sport Racing.
 
O projeto tirou proveito da integração excepcional entre todas as competências do Grupo: responsabilidade social da empresa, engenharia de produto e processos, manufatura e logística, qualidade, compras, propriedade industrial, análise de custos e controle de gestão.
 
Aproximadamente 15 protótipos de respiradores mecânicos foram produzidos no Centro de Produção de Protótipos do Technocentre e, de acordo com a filosofia do projeto, os respiradores foram feitos segundo a estratégia Open Source, para que sejam disponibilizados ao maior número de pessoas.
 
“O projeto Makers foi iniciado em março”, comenta Rémi Taffin, Diretor Técnico de Motores na Equipe Renault DP World de F1. “Estávamos trabalhando com o centro hospitalar e universitário AH-HP de Paris, para dar outras respostas à pandemia e nos envolvemos no projeto porque eles precisavam de uma ajuda específica em relação a um ventilador. Para fazer um respirador você precisa de ar, portanto adaptamos o princípio de um motor de F1 com um motor elétrico. Conduzimos uma série de trabalhos por meio de impressões 3D, para que tudo pudesse ser aproveitado por outros fornecedores, se necessário.”
 
“Também auxiliamos no projeto da primeira iteração do hardware e orientamos sobre como produzir, o que levou à segunda iteração incluindo o software, o MAKAIR RE20. O processo levou em torno de dois meses, quando demoraria normalmente em torno de dois anos – esta é uma grande demonstração da paixão e dedicação do grupo de pessoas envolvidas.”
 
Seguindo este mesmo espírito de solidariedade, o próprio desenvolvimento do respirador RE20 da Renault será licenciado gratuitamente como Open Source, incluindo as 11 patentes requeridas. Este acesso gratuito permitirá que organizações em situação de crise produzam este respirador artificial de baixo custo.

Computer Power
Neste momento de mudanças sem precedentes, a Equipe Renault DP World de F1 encontrou uma nova solução para ajudar a acelerar a luta contra o coronavírus, permitindo que os pesquisadores utilizem os extensos recursos de tecnologia da informação da equipe em um projeto digital chamado de Folding@home. Iniciado há quase duas décadas, o projeto Folding@home reúne as pessoas em torno do compartilhamento de seus recursos de TI por um bem maior. Foi dado início a um projeto específico para a COVID-19, com o objetivo de intensificar as pesquisas sobre o coronavírus e investigar todas as curas possíveis.
 
A Equipe Renault DP World de F1 abraçou esta causa em março, disponibilizando seus inovadores recursos de tecnologia da informação de ponta.
 
Ben Hampshire, Gerente de TI de Corridas na Equipe Renault DP World de F1, comentou: “O coronavírus causou atrasos em todo o mundo e uma das consequências diretas foi o adiamento ou cancelamento de várias corridas. Decidimos que queríamos disponibilizar nossa capacidade de TI excedente na fábrica de Enstone, que normalmente estaria ocupada ruminando estatísticas das pistas, auxiliando em nossa estratégia e no funcionamento dos carros de corrida. Com nosso envolvimento em um projeto como o Folding@home, ajudamos no trabalho para um objetivo comum de entender a COVID-19.”
 
Caixas de intubação
A Equipe Renault DP World de F1 contribuiu para um novo tipo de caixa de intubação, criada para melhorar o tratamento dos pacientes de COVID-19 e a segurança da equipe hospitalar.
 
Criado para manter a segurança da equipe que atua na linha de frente durante a intubação dos pacientes, a inovadora “Oxford Box” foi desenvolvida por empresas da rede Silverstone Technology Cluster (STC), incluindo a ENovation Consultancy Ltd. da Dra. Cristiana Pace, Embaixadora do Cluster, a empresa de engenharia de esportes a motor e membro da rede STC One Group Engineering, e a rede de hospitais universitários Oxford University Hospitals NHS Foundation Trust (OUH). Após a realização de testes exaustivos e o treinamento de membros-chave do corpo clínico, a rede OUH aprovou o uso da Oxford Box em seus quatro hospitais na região de Oxford.
 
Por meio de técnicas de Fluidodinâmica Computacional (CFD) normalmente restritas ao desenvolvimento de carros de corrida de Fórmula 1, foi possível contribuir com melhorias ao projeto. A equipe replicou e simulou o comportamento das partículas fluidas (aerossóis) liberadas ao tossir, aumentando consideravelmente a proteção oferecida ao pessoal médico em comparação com os EPIs. O uso de técnicas sofisticadas de modelagem também reduziu o prazo de produção para menos da metade.
 
Paul Cusdin, Responsável pela área de CDF na Equipe Renault DP World de F1, comentou: “Modelamos a velocidade, direção e o fluxo de ar como faríamos na F1 e, assim, pudemos orientar a melhor posição, tamanho e formato da caixa, permitindo que seu nível de proteção se aproximasse dos 100% para o pessoal médico que atua no tratamento”.
 
“Os modelos eram complexos para determinar, mas a aplicação de princípios que utilizaríamos no desenvolvimento de um carro nos permitiu melhorar sua proteção e encurtar o desenvolvimento de meses para semanas”.
 
“Mais uma vez, a F1 está provando sua capacidade de aplicar sua forma de pensar, tecnologias e processos para acelerar a ajuda que podemos dar àqueles que realmente precisam. Espero que esta seja mais uma ferramenta na atual luta contra a COVID-19.”
 
Apoio de voluntários
O modelo de respirador Penlon já era fabricado pela empresa localizada na cidade de Abingdon-on-Thames, na região de Oxfordshire (a mesma onde está localizada a cidade de Enstone), com o apoio de um grande consórcio de indústrias do Reino Unido, cujo volume foi aumentado para ser produzido durante quase toda a noite. Várias equipes de F1 se envolveram no projeto, algumas na engenharia e outras – incluindo a Equipe Renault DP World de F1 – forneceram um exército de testadores, que verificavam os dispositivos assim que eles saíam da linha de produção. Quase 70 voluntários da Equipe Renault DP World de F1 trabalharam em turnos, durante várias semanas.
 
Kayleigh Egan, Líder do Setor de Otimização de Performance na Equipe Renault DP World de F1, comentou: “Eu me envolvi no projeto porque queria ajudar de alguma forma na pandemia. Fui voluntária para testar os respiradores, mas acabei fazendo um turno noturno, dando apoio aos colegas, solucionando dúvidas, gerenciando problemas e garantindo que o fluxo de respiradores do turno chegasse ao serviço de saúde público, o NHS. Trabalhamos quatro noites sim e quatro noites não, o que foi difícil para nos adaptarmos no início. Na F1, costumamos trabalhar pesado por um objetivo em comum, trabalhando de forma ágil e metódica, tomando decisões o mais rapidamente possível – e tudo isso se tornou relevante. Em meu dia a dia, preciso prestar atenção aos detalhes e escutar os meus colegas, para que possamos agir mais rápido como um todo, portanto tudo isso foi muito útil. Temos uma grande satisfação de poder contribuir e espero termos ajudado, tanto eu quanto os outros voluntários da Renault e de outras equipes de F1.”
 
Carrinhos para respiradores
O desenvolvimento de carrinhos para respiradores é outro caso de sucesso, que demonstra a capacidade da F1 de agir em um desafio de design, encontrando uma solução que pode ser produzida de forma rápida e em escala, se necessário. O Projeto Pitlane solicitou que a Equipe Renault DP World de F1 redesenhasse um conceito de carrinho para respiradores, para que eles pudessem ser facilmente transportados pelos corredores dos hospitais.
 
Uma pequena equipe de engenheiros de projeto da Renault redesenhou o modelo em uma questão de dias. O projeto passou para o departamento de manufatura, que produziu alguns protótipos. No final, o projeto foi entregue à Sagentia, para a produção de carrinhos para seus respiradores totalmente prontos para o uso.
 
Raphael Willie, Subgerente de Produção de Elementos Metálicos, acrescentou: “Recebemos uma folha de projeto básica e discutimos sobre seus prós e contras. Discutimos como o projeto em geral poderia ser modificado ligeiramente para que o modelo se tornasse mais forte e rígido, mas continuasse sendo fácil de produzir. Depois, verificamos se poderíamos produzir um pequeno número de protótipos internamente, de forma realística e bem-sucedida. Tomamos nossas decisões com base em ações e materiais. O componente se inseriu perfeitamente no conjunto, destacando alguns pequenos problemas que retroalimentaram o projeto. Foi um excelente exemplo de engenharia simultânea entre o pessoal de projeto e produção.”
 
Dispositivos de comunicação
A Equipe Renault DP World de F1 está atualmente colaborando em um projeto de dispositivo de comunicação sob o nome de COVICOM. Um dos maiores problemas que o pessoal da equipe médica enfrenta é a comunicação quando estão usando todos os equipamentos de proteção individual. As roupas de proteção abafam o som da voz e dificultam a compreensão, o que é um grande problema ao realizar procedimentos complexos ou falar sobre assuntos delicados com os parentes dos pacientes.
 
Para superar este problema, um médico do Hospital Universitário de Leicester desenvolveu um pequeno amplificador de voz, que poderia ser preso a um cinto, transmitindo o som para um fone de ouvido.
 
A Renault está colaborando no desenvolvimento dos dispositivos, principalmente orientando a respeito do projeto elétrico, com o apoio do projeto mecânico para a embalagem e o material de revestimento.
 
Produção de fluidos renais
No início da crise da COVID-19, a filtração de fluidos renais se tornou crítica para o NHS. Muitos pacientes que precisaram do respirador tiveram danos nos rins causados pela doença e havia uma necessidade urgente de realizar a filtração renal, um processo que injeta um coquetel de substâncias químicas nos rins, para mantê-los funcionando.
 
Havia uma real preocupação de que haveria falta deste fluido, bem como dos dispositivos para bombeá-lo pelo corpo. A bp, parceira da Equipe Renault DP World de F1, imediatamente se uniu aos esforços para trabalhar em conjunto com o NHS e ajudar a adquirir os fluidos provenientes de todo o mundo por meio de sua cadeia logística.
 
Felizmente, esta crise teve uma vida curta e já passou, portanto o projeto não foi necessário, mas demonstrou um grande espírito de cooperação entre o NHS, a bp e a Renault Sport Racing, para prestar ajuda quando necessário.
 
“Muitos outros projetos foram lançados, contando com o auxílio da Renault na pandemia da COVID-19; continuamos trabalhando até hoje para oferecer nosso apoio sempre que solicitado e necessário”, completou Bob Bell. “O que eu mais gosto na F1 é o fato de sermos uma família. Somos adversários mortais nas tardes de domingo, mas fora das pistas trabalhamos todos de forma colaborativa; se não fosse assim, o show jamais aconteceria. Trabalhamos juntos para oferecer ajuda de forma coordenada quando necessário e esperamos que muitas pessoas, em vários setores, tenham se beneficiado desta aliança improvável.”
 
Com nosso retorno às pistas, as oportunidades que surgiram por meio desta associação entre a Responsabilidade Social da Empresa e a parte Técnica, na França e na Inglaterra, são promissoras.  O feedback vai ser utilizado pela Renault Sport Racing e seu programa de RSE, tanto em termos de conteúdo como de projetos.

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